

No âmbito do memorando de entendimento, assinado em fevereiro último, entre a EPM-CELP e a Associação Humanitária para a Educação e Desenvolvimento – Capulana, patrona da Escola Primária Completa Ndivinduane, seis professores daquela instituição moçambicana de ensino visitaram, hoje e no passado dia 3 de março, as instalações da nossa Escola, onde, para além de conhecerem as infraestruturas, colheram experiências técnicas de metodologia de ensino e aprendizagem nos departamentos do pré-escolar e de todos os ciclos do ensino básico, bem como na Biblioteca Escolar José Craveirinha.
De acordo com Rui Ismael Daúto, representante da Associação Capulana em Moçambique, o intercâmbio com a EPM-CELP vai enriquecer as competências científicas dos docentes da EPC Ndivinduane, “sobretudo pelo facto de estarmos a trabalhar no campo, onde algumas destas crianças têm a dificuldade de falar português, de ler e escrever, de resolver operações matemáticas”, explicou, sublinhando, todavia, que é também imperioso que o desporto tenha o seu devido espaço, tanto na aldeia como na Escola de Ndivinduane.
Para Rui Isamel Daúto, devido ao isolamento e falta de alternativas escolares a que as crianças e jovens estão sujeitos, a maioria dos alunos de Ndivinduane quando termina a sétima classe ou um pouco antes “desviam-se, muitas vezes, para a Suazilândia (atualmente Reino de eSwatini) onde são explorados em atividades socialmente desviantes. Tal só acontece porque as crianças não têm outra visão de profissões a não ser aquelas que habitualmente percepcionam em Ndivinduane, como sejam as de professor e enfermeiro.

Mais cinco professores, incluindo a diretora da EPC Ndivinduane, escalaram hoje a nossa Escola, fechando, assim, o primeiro ciclo de visitas. Saugina Rafael, a diretora, avaliou positivamente o trabalho realizado pelas duas instituições, sustentando que “embora estejam em contextos diferentes, há o que nos une: a educação. Nesta nossa visita à EPM-CELP ficamos inspirados com a forma como os professores dão as aulas, sobretudo nas aprendizagens em que é o aluno quem tem mais voz”.
Neste momento, a EPC Ndivinduane enfrenta problemas de literacia. Ou seja, muitos alunos não dominam a língua portuguesa e, consequentemente, a leitura e a escrita. Todavia, revelou a diretora, as metodologias ensinadas na nossa Escola, bem como em outras formações, irão impulsionar a busca e partilha dessas competências pedagógicas por parte de alunos e professores, um repto logo assumido pelo professor Fernando Raimundo. A lecionar a sexta e sétima classes na EPC Ndivinduane, o docente quer adaptar o jogo “Bola ao fundo”, aprendido durante a visita, na sua turma, uma vez que, explicou, “o interesse deles é mais por coisas novas”.