Lembranças de uma década, vincadas por testemunhos, dramatizações, brindes e abraços, marcaram a noite de ontem na biblioteca do Camões – Centro Cultural Português em Maputo, onde decorreram as celebrações do 10.º aniversário do projeto “Mabuko Ya Hina”. O evento, ao qual aderiram várias individualidades do cenário artístico-cultural e educacional de Maputo, culminou com o lançamento do segundo livro da coleção do projeto, "A menina que vivia na Nuvem", da autoria de alunos da Escola Primária Completa de Maguiguana.
Testemunho revelador da atividade do projeto “Mabuko Ya Hina” e da Oficina de Escrita Criativa, da qual saiu o livro “A menina que vivia na Nuvem”, é o de Estela Pinheiro, professora de Francês na EPM-CELP, que contou ter sido a obra resultado da ação realizada na Escola Primária Completa de Maguiguana. “Foi um trabalho desenvolvido em três fases distintas: na primeira procurei conhecer os alunos; na segunda avaliar as potencialidades e fraquezas dos alunos e, na última, executar o trabalho”, esclareceu.
Na mesma senda, Ana Albasini, coordenadora do projeto “Mabuko Ya Hina”, mostrou-se satisfeita com os resultados alcançados ao longo da década de existência do projeto. Embora admita que o caminho seja ainda longo, facto traduzido pela ideia de aumentar maletas de leitura para a província de Inhambane e a criação de 50 maletas para o Parque Nacional de Gorongosa, a coordenadora espera continuidade na evolução, sobretudo ao nível de leitura nas crianças beneficiadas. “Os alunos estão cada vez mais a intensificar o domínio e hábitos de leitura. E isso é gratificante, pois este projeto foi criado com o objetivo de promover a leitura nas escolas públicas e comunitárias moçambicanas”, concluiu Ana Albasini.
Durante o evento, os alunos da Escola Primária Completa de Maguiguana dramatizaram a história do livro "A menina que vivia na Nuvem". A obra é composta por quatro histórias concebidas pelos alunos organizados em grupos a partir de quatro elementos: uma menina, uma nuvem, uma flor e uma gaivota. No final do livro, o leitor é desafiado a escrever também a sua história.