A ação de formação “Estratégias de superação de dificuldades em alunos com discalculia”, ministrada pela psicóloga Lília Marcelino, diretora do Núcleo da Discalculia e investigadora no Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento da Universidade Lusófona (Portugal), entre 21 e 26 de janeiro em curso, atraiu educadores de infância, docentes do primeiro ciclo do ensino básico e de Matemática e de Ciências da Natureza do segundo ciclo, técnicos do Serviço de Psicologia e Orientação e professores do Departamento de Educação Especial da nossa Escola para a exploração de soluções para enfrentar problemas discalculia em contexto de sala de aulas.
Em seis dias de formação, para além de explicações sobre a discalculia – causas, características e sintomas, tipos e consequências –, aos formandos foram transmitidos conhecimentos práticos e fornecidas ferramentas de trabalho, como as cartas numéricas, o jogo das imagens, o ábaco e as cartas abstratas, entre outras, que visam melhorar a prestação dos alunos nos cálculos.
A formadora Lília Marcelino esclareceu que as sessões da ação de formação consistiram, basicamente, em aprender a trabalhar o cálculo mental com crianças com discalculia, especialmente, sublinhando que “há um método, desenvolvido por uma professora alemã, que permite trabalhar essas dificuldades no cálculo. E porquê o cálculo? É que ele acaba por condicionar todas as aprendizagens dos alunos, uma vez que tudo parte do cálculo, da aritmética”, afirmou à nossa reportagem.
Um dos sinais evidentes nas crianças discalcúlicas manifesta-se nas operações visuais, ou seja, não conseguem, mentalmente, criar números dentro de outros, por isso “precisamos recorrer a algo concreto para trabalhar e é através de imagens”, precisando que “para ajudar uma criança que não consegue distinguir o 13 do 31 pode usar-se o ábaco, uma vez que o número de dezenas e das unidades pode ser facilmente diferenciado”, concluiu Lília Marcelino.
Em declarações ao nosso “portal”, Isabel Loio, professora de Matemática participante na ação de formação, avaliou positivamente a iniciativa, afirmando que, para além de se terem analisado os fatores que influenciam as dificuldades da aprendizagem da Matemática, também se abordou a problemática da Discalculia Desenvolvimental e as estratégias de superação de dificuldades na Matemática, em alunos com discalculia. Segundo contou, “trabalhamos programas de treino com atividades, jogos, com materiais específicos (baralhos de Kiel, casinhas do 10, dados, etc), atendendo à problemática da criança. Agora, teremos de aplicar uma prova de identificação das competências numéricas inicias (PICNI) para que possamos identificar alunos em risco de terem dificuldades futuras na aprendizagem da Matemática e/ou se é um aluno com discalculia, uma desordem neurológica específica que afeta a habilidade de uma pessoa compreender e manipular números”, terminou Isabel Loio.
Durante as sessões de formação, os formandos enfrentaram desafios de resolução de exercícios despertadores da sua atenção e criatividade, o que conferiu caráter experimental às aulas. Esta metodologia inspira uma consciência criativa nos formandos perante episódios do quotidiano que, em contexto de sala, poderão transmitir aos seus alunos de forma criativa.