
A obra é o resultado da dissertação de mestrado de Teresa Paulo que iniciou a sua carreira docente na Escola Secundária da Matola, antes de ingressar, em 1988, na então recém-criada Escola Portuguesa de Maputo – Cooperativa de Ensino, primeiro como professora de Trabalhos Manuais e, mais tarde, de Português. Transitou, em 1999, para a EPM-CELP, integrada num grupo alargado de professores da “escola da FACIM”, onde ainda se mantém como docente do Departamento de Línguas.
“A ideia surgiu por me terem agradado e interessado as temáticas e conteúdos abordados na cadeira de História da Educação, na parte curricular do curso de mestrado em Educação", começou por explicar Teresa Paulo. “Fiquei a saber que já havia histórias sobre muitas instituições educativas em Portugal, teses de mestrado e de doutoramento, e fiquei com muita vontade de escrever sobre a escola antecessora da nossa atual escola”, destacou, acrescentando que “era preciso preservar memórias individuais e coletivas” de uma escola que já não existe fisicamente.
Reconhecer o processo de criação daquela antiga instituição de ensino, descrever o percurso da Escola Portuguesa de Maputo – Cooperativa de Ensino, CRL, de 1985 a 1999, analisar a dinâmica da própria escola, sistematizar o itinerário da vida da instituição na sua multidimensionalidade, recuperar algumas fontes de informação arquivadas e contribuir para o conhecimento e reconhecimento daquela escola foram os principais objetivos do trabalho intensivo de dois anos, que resultou na dissertação defendida em 2009, dez anos após o encerramento da Escola Portuguesa de Maputo.
Teresa Paulo, ao falar do processo de produção e redação da dissertação, afirmou ter tido “muito gosto e prazer em fazer tal trabalho”, todavia confessou ter encontrado “muitas portas que se fecharam”, tal como revela: “a última Direção da cooperativa não tinha interesse nenhum em que eu investigasse e não se disponibilizaram para a entrevista nem autorizaram a consulta dos arquivos”, revelou Teresa Paulo. No entanto, contrariando todos os dissabores e depois da consulta de diversas fontes documentais, orais, escritas e fotográficas, o trabalho frutificou, foi defendido e legitimado academicamente e, agora, nasceu o livro por iniciativa da EPM-CELP.

Para Teresa Paulo, em declarações à nossa reportagem, “a Escola Portuguesa de Maputo constituiu os alicerces, a raiz do embondeiro em que se transformou a EPM-CELP”.