No seu mais recente trabalho literário, o mergulhador e escritor Sérgio Veiga expõe, sob o nome de Francisco, a sua vida enquanto ser versátil, produzindo imagens consciencializadoras da valorização da natureza. O livro de contos, "As aventuras de Matoco", foi lançado ontem, no átrio central da EPM-CELP, perante uma plateia composta por dirigentes, professores e funcionários da nossa Escola, bem como do ilustrador Luís Ofício Cumbane, familiares e amigos.
Explorando uma versatilidade temática – que começa pelas razões que levam o protagonista Francisco a viver na Ilha de Inhaca, aos 60 anos, depois de ter percorrido todas as províncias de Moçambique, o livro narra as emoções de aventuras de Francisco, Matoco e Mungano na natureza, no mato e no mar, em episódios como “O pesadelo da cobra”, “O peixe diabo”, “O elefante problemático”, “As histórias do mato têm de ficar no mato” e “O tubarão branco e a jamanta”.
Composto por 91 páginas, divididas em seis capítulos, a obra "As aventuras de Matoco” pretende ser uma celebração da vida, da paixão pela natureza e seus constituintes, da amizade, lealdade e, sobretudo, de proezas, de modo a transformar a vida, aos 60 anos, num diálogo entre o passado, o presente e o futuro. Ou seja, com esta obra, Sérgio Veiga convida os leitores à reflexão sobre a nova identidade e ações, visando a preservação da natureza, da paz e da felicidade.
“Francisco construiu uma cabana na ilha da Inhaca, que não é apenas uma cabana, mas sim uma oportunidade de nos dar a conhecer Matoco que, sendo um veículo da sua imaginação, nos leva até às suas estórias para nos ensinar a conviver com a natureza”, escreveu Manuel Nhaca, aluno da nossa Escola autor do prefácio do livro. Francisco vê a Ilha Inhaca como uma oportunidade de se dar, a si mesmo, uma nova vida depois de perder Maria, sua esposa, que faleceu sem lhe deixar herdeiros. “Há alguns anos atrás, Francisco, fiel às suas convicções, foi para o arquipélago da Inhaca com a finalidade de escolher um sítio para passar o tempo que restava de vida”, narrou o escritor, introduzindo a plateia na narrativa.
Na cerimónia de lançamento, familiares e amigos do autor partilharam suas diversas visões e histórias sobre a vida e obra de Sérgio Veiga. Larissa Gil, aluna do “9.ºA” da nossa Escola, por exemplo, apresentou o livro, revelando ter encontrado “muita coisa que não sabia”, acrescentando que “As Aventuras de Matoco” lhe revelaram “o outro lado de Moçambique, aquele que quase ninguém vê”. Mais do que desmitificar passagens da obra, a estudante aguçou a curiosidade da plateia através de questionamentos sobre as personagens e as intenções não claras do livro.
Dina Trigo de Mira, presidente da Comissão Administrativa Provisória da EPM-CELP, não tem dúvidas que o livro "As aventuras de Matoco" serve de ponto de reflexão sobre a problemática do ambiente no mundo, particularmente em Moçambique. Ou seja, “este livro realça, de sobremaneira, os passos da nossa Escola na consciencialização e valorização do meio ambiente”, referiu a dirigente.
O tom artístico que envolveu a apresentação da obra conferiu à cerimónia um caráter catártico em ambiente social. Alunos do nono ano do ensino básico da nossa Escola dramatizaram o conto do livro, consciencializando a plateia sobre a valorização do ambiente, e exibiram fotografias das suas aventuras na casa de Sérgio Veiga, na Ilha de Inhaca.
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