Durante toda a semana, a Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP) esteve animada, com alunos e professores empenhados na dinamização de diversas atividades programadas no âmbito das celebrações do 23.º aniversário da Escola, que este ano se junta às comemorações do centenário de José Saramago. A sessão solene, que hoje teve lugar no Auditório Carlos Paredes, encerrou as festas entre renovações de promessas de excelência no ensino, retrospetivas, cânticos, dramatizações, música e muitos prémios para os vencedores de concursos e melhores alunos da “Casa Amarela”.
Há dois sentidos, o real e o metafórico, na exposição “Flores de todas as cores”, inaugurada na segunda-feira, 21 de novembro, no átrio central, no Pátio das Laranjeiras e no novo refeitório da Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa (EPM-CELP), pertencentes aos alunos desde o pré-escolar até ao ensino secundário que, nitidamente, nos ajudam a perceber, nas duas vertentes, os seus mistérios. Mais do que celebrar o centenário do considerado maior da expressão da Literatura Portuguesa contemporânea, José Saramago, os trabalhos, desafiadores, deram asas à imaginação e à criatividade.![]() |
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A exposição reúne trabalhos dos alunos de todos os ciclos, incluindo os da Sala do Ensino Estruturado, feitos em contexto de sala de aula, desde o segundo período do ano letivo passado. São retratos de José Saramago feitos a partir de materiais reciclados e em formato de puzzle; recriações escritas e desenhadas do conto para a infância “A maior flor do Mundo” depois do visionamento do filme; ilustrações; a construção da passarola voadora; teatro, entre outros.![]() |
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O encontro com os encarregados de educação do 2º Ciclo teve o objetivo de olharmos, juntos, para uma das fases de desenvolvimento que mais desafia o mundo dos adultos. A mudança para o 2º Ciclo, para além de ter associado um conjunto de mudanças no contexto académico, traz ainda mudanças no desenvolvimento da pessoa dos alunos com a proximidade da puberdade e da adolescência. Do ponto de vista da escola, foram trazidos pelos alunos, em atividade com as psicólogas, sentimentos relacionados com o abandono da monodocência que dá, agora, lugar a um conjunto de novos docentes, a perda de amigos e colegas por integração em turmas diferentes, o medo de não ser aceite pelos novos colegas, o aumento do número de salas, o aumento de responsabilidades, o aumento da complexidade de matérias, o aumento de testes, o aumento da ansiedade associada a tudo quanto é novo e muito.
Do ponto de vista do desenvolvimento pessoal, as grandes “dores” dos nossos alunos relacionam-se com a puberdade e a adolescência que os aguarda e a comunicação com os pais sobre o assunto. Foram apresentadas questões como Por que é que a adolescência é a pior fase da vida? Como aparecem as borbulhas e os pelos nos adolescentes? Por que é que quando tens um irmão ou irmã mais novo, os pais param de te dar atenção e tempo e o teu novo irmão/irmã passa a ignorar-te? Porque é que tentamos conversar com os nossos pais ou parentes sobre a mudança do corpo, mas temos desconforto e medo de falar sobre este assunto? Como perco o medo de falar com eles? Quero gostar de algumas partes do meu corpo. Gostaria de aprender como me defender de pessoas que querem usar o meu corpo para se divertirem. Gostaria de saber como ter mais intimidade com os meus pais e como falar com eles.
Dentro deste trabalho desenvolvido pelas psicólogas do Serviço de Psicologia e Orientação (SPO) da EPM-CELP, os pais foram igualmente convidados a participar numa “roda de conversa” onde puderam conhecer a visão sobre as mudanças que surgem nesta fase e sobre os melhores caminhos a seguir para acompanhar os seus filhos, na tentativa de, juntos, se encontrarem as melhores respostas ao o que fazer e como fazer com as mudanças físicas, emocionais e comportamentais.
Deste encontro, e com um bom envolvimento dos pais presentes, saíram orientações como a extrema importância de construir pontes de comunicação e de afetos entre pais e filhos, assegurando a existência de um clima de confiança, abertura e disponibilidade para receber aqueles que, nesta altura, se por um lado (ainda) têm os pais como o porto seguro ao qual querem recorrer, por outro lado, têm também bastantes dificuldades em se aproximar deles por vergonha, timidez e, muitas vezes, pela (sua) certeza de não valer a pena fazê-lo, pois é sua certeza que dificilmente serão compreendidos…
Em 90 minutos de conversa, podemos dizer que foi 100% positivo o fortalecimento da equipa de educadores que, entre saberes e afetos, dedica o seu tempo à construção do bem estar da pessoa dos alunos dos atuais 5.º e 6.º anos da EPM-CELP.