A história da Humanidade, esse imenso fio que Clio tece leda, lenta e prazerosamente, sempre teve os seus nós, as suas falsas curvas, os seus congestionamentos ocasionais. Destes pontos fulcrais da existência humana, se escolhermos uns poucos, teremos, por decerto junto deles, um sem-fim de personalidades odiadas e amadas pelos nossos - e mesmo pelos seus - concidadãos. É assim a nossa vida: reduzindo à quintessência o percurso de cada um, só tem inimigos quem será lembrado, quem quebra o status quo, quem faz diferente e se destaca. Invariavelmente, todos os indiferentes estão condenados a essa mesma indiferença: serão lembrados pelos amigos mais próximos, pelos filhos e pelos netos. Após isso, não passarão de um número, de uma fonte consumidora de oxigénio e emissora de dióxido de carbono a contar para as estatísticas do aquecimento global. Resumindo, um simpático, inofensivo pedaço de nada.

